<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643</id><updated>2012-01-21T06:49:05.111-08:00</updated><title type='text'>Franco Fiddgins</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-771394405588203532</id><published>2010-07-18T19:19:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T18:56:56.553-07:00</updated><title type='text'>A Epistemologia das coisas do mundo</title><content type='html'>Quem sabe fazer a poda no ser humano não lhe faria brotar novidade. É tudo tão velho e mesmo, que as coisas novas receiam chegar a território marcado. Um braço, uma perna... cresceriam novos membros mais dinâmicos e belos? Uma cabeça... novas ideias? Novas ideias, preciso de novas ideias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, lia algo sobre a Epistemologia das coisas do mundo. Conclui logo que "epistemologia" soa bem; é uma dessas palavras garbosas, pronunciadas na lentidão de tudo que deve ser compreendido, mas que, no fim, é um monte de letras bobas. Epistemologia é algo como o estudo das formas de se estudar aquilo que pode ser estudado. Muito bem, é bonito e engrandece a retórica, mas nada significa para mim. Na verdade, não tive propósito inicial - se não o de preencher algumas lacunas da informação - ao citar a Epistemologia. O que me ocorre agora, no entanto, são trouxas de motivos que insistem no enunciado assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente, preciso reforçar o quão oco de sentido pode ser um assunto desses. Veja bem, quer conhecer a maneira de se conhecer, quem nem ao menos conhece. Há uma problemática aí, pois a escala gradual das coisas não está sendo respeitada. Imagine se o espistemólogo - crendo aqui na existência de vocábulos tão peculiares - vai conhecer todo o conhecimento. Pois que ele precisa! Conhecer a forma de conhecer coisas complexas é ainda mais complexo, já que é um conhecimento a mais. E isso acabaria por fazer do epistemólogo uma enciclopédia, que ainda ensinaria a ler e a compreender o que é numérico. Pelos Céus! E eu poderia estar criando aqui o Guia do mais novo Empreendedor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda é cedo. A relatividade de tudo manifesta-se e aos poucos eu percebo outra forma de compreender essa "questão epistemológica". Acompanhe: o que precisa fazer uma pessoa interessada na compreensão de um texto? Aprender a lê-lo, oras! Não se podem compreender equações matemáticas sem admitir que dois mais dois seja quatro. Entende? É preciso saber como conhecer o que se quer, ou - para os mais corajosos - aprender a  cruzar um rio sem passar pela ponte. A Epistemologia é uma ciência utilíssima! Mas ainda se pode nadar pelo rio.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim de tudo, a Epistemologia é uma grande bobagem e o espistemólogo poderia vender as calças! Os senhores de boníssima instrução, aqueles dados ao deleite dessas ciências tolas, são incapazes de perceber que um triângulo tem três lados e três pontas – e é por isso especial -, só enxergando que nele há bissetrizes e razões trigonométricas! São pessoas que dispensam credulidade e devem ser evitadas. Oh, não! Não vires a página!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Amigo meu, se chegou até esta parte do texto, eu faço-lhe reverências. Creio que é bom conhecedor das formas de conhecer, sobretudo a paciência e a piedade para com este monotemático prolixo que vos escreve. (Este não é o ponto final!) A partir de agora, saiba que a Epistemologia lhe acompanhará para toda vida. Verás a Epistemologia em tudo que for objeto de teu conhecimento. E chegará um dia em que a Epistemologia será a porta de entrada para todo processo de conhecer e saber!&lt;br /&gt;A Epistemologia não é mãe, é ama-de-leite. &lt;br /&gt;Epistemólogos de todo o mundo, uni-vos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-771394405588203532?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/771394405588203532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=771394405588203532' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/771394405588203532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/771394405588203532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2010/07/epistemologia-das-coisas-do-mundo.html' title='A Epistemologia das coisas do mundo'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-6056731858543221209</id><published>2009-10-05T18:39:00.000-07:00</published><updated>2010-07-29T21:24:58.733-07:00</updated><title type='text'>Bethania.</title><content type='html'>**&lt;br /&gt;(Queridos amigos, antes de mais nada, espero que esse texto passe a vocês, tudo o que eu quis passar para mim mesmo, pois escrever, na minha concepção, é, sobretudo, um ato de inconsciência. Peço desculpas se as palavras não exprimirem o real sentido que quis dar a elas - ossos do ofício! E conto mais uma vez, com o auxílio da sua imaginação. Vamos ao texto.)  &lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela passava o gume frio da faca sobre si. As veias destacadas da pele magra e morena rompiam-se aos poucos e, de forma curiosa, proporcionavam um efeito compassado aos filetes de sangue que brotavam dos pelinhos. Pode-se garantir que havia menos lágrima do que sangue; sangue era algo que lhe sobrava aos montes, pois ela já tivera de sangrar muito na vida. Aprendeu a poupá-lo, aprendeu a destilá-lo aos pouquinhos, ritmando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela acendeu um cigarro e prestou atenção às formas que a fumaça tomava ao entorno de seu rosto. Ela podia jurar que havia algumas letras voadoras ali. O calcanhar doía – o palco não devia parecer cimento, pensou. Por outro lado, seu coração estava anestesiado e a folia ainda contraía os músculos de seu corpo, bombeando sangue para as veias abertas. Ela era dona do dom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava bem na sua frente. Bethania me chamou de meu amor. Bethania repetia frases sussurradas que mal reuniam forças para chegar ao pé do meu ouvido. Ela pediu que eu tocasse os seus cortes. “É fundo o bastante?”. Mas eu era fraco perto da Bethania e o sangue dela mesclava-se com as minhas lágrimas, que eu não conseguia prender. No chão, uma mistura densa e escarlate corria livre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A força daquela voz me controlava. Não pude afastar meus fantasmas de mim e acabei cedendo ao impulso. Meu dedo afundou no sangue da Bethania. Quente. Ela sorriu um sorriso inconstante e pude sentir a epifania; percebei, pela intensidade do momento, que suas memórias estavam vivas em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti a força do seu timbre e das antigas canções me levando para um passado preto-e-branco – se é que o mono cromatismo não se devia à tontura da queda. Dei por mim prestes a entrar no palco. O único som audível originava-se das batidas do meu coração em arritmia. Pé direito, pé esquerdo, pé direito. E o montão de cabeças estagnadas estava bem na minha frente. Nosso senhor, eu senti medo. Por alguns segundos eu fiquei ali, imóvel. Na ponta do meu nariz havia algumas gostas hesitantes de suor, que teimavam em não cair. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei por mim, por Bethania. Dei por mim que eu era Bethania. Mas essa conclusão logo foi abafada pela música que saía pela minha boca. Música que eu não podia controlar. Palavras feitas agulhas que estouram balões. Comecei a cantar trechos tristes, sustentados pelo vigor da voz da Bethania, da minha voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Flor amarela, flor de uma longa espera. Logo meu coração ateu." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ateu, ateu. Quem vai dizer que não foi obra de deus? Eu daria todo meu coração rachado à Bethania. Porque ela me fez ver que as coisas não acabam, que a solidão é uma passagem de mão única para tudo que se quer realizar na vida. A solidão é mentira. Há sempre um fiapo da Bethania em mim e eu não vou te perder em qualquer canto. Você é a mais doce. Ah, Bethania.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-6056731858543221209?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/6056731858543221209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=6056731858543221209' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/6056731858543221209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/6056731858543221209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2009/10/bethania.html' title='Bethania.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-3865421821207187547</id><published>2009-07-19T14:39:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T10:07:55.332-07:00</updated><title type='text'>Inquietas Sombras*</title><content type='html'>--- É véspera de fingir. Acima, branca paz do céu – inalcançável; abaixo, a tábua fria do palco que me fará dizer mentiras outra vez. À frente, longo corredor faminto de sombras e deleites da alta-costura. Há sussurros agudos e frívolos, cuja origem me é impossível determinar. Sei que tentar não vale a vida gasta e que não vale doar-se à causa perdida. Sei também que a morte mora ali e irá se revelar no primeiro ato. Sei que não estarei sozinho por mais que as luzes tenham se apagado ou vento insista em não pausar a cantoria. Sei que, por Deus, haverá sempre sussurros ali. &lt;br /&gt;--- As lagartas da barriga iniciam a metamorfose. A mão esquerda encerra a chave do coração e a certeza da partida. Suspendem-se as cortinas e sigo em mar bravio a fim de entender-me e sentir-me. Para Dante, o teatro é inferno. Para mim, o teatro é inferno. Pois quero que a chama arda fundo na pele; quero engolir suas labaredas para matar as recém formadas borboletas. &lt;br /&gt;--- Ato segundo: já convivo com a morte. Convivo com todos os sentimentos possíveis dentro de uma caixinha. O choro, então, jorra pela face por ter seu lugar tomado pelos demais sentimentos. Há dentro de mim, mais do que uma única alma. Na verdade, conta-las seria tão impossível quanto parar de chorar. Ora, devo parar! Há aqui muito mais que o melodrama de uma pessoa sem causa. Há a comédia e há o pierrô. A comédia deve tirar risos à força, assim como tiro lágrimas donde mais parece ter secado. O pierrô deve existir e para ele, essa tarefa resume-se a lamentar. Logo, sou pierrô. Sou-o por uma fração de milésimos de segundo, o que sob a luz cênica é, mal comparando, uma ida á Marte. &lt;br /&gt;--- Covardes aplausos, hipócritas, giram a bússola e me mostram que eu estou terminado. Cheguei à última estação e não há ninguém. Descobrir-se ninguém é algo pelo qual, deve-se realmente lamentar. Lamentaria de fato, não fosse a música que ainda em mim toca. Levanta-me os braços, sacudindo-os contra minha vontade. Agradeço ao público por algo que não sou e os aplausos incessantes me ensurdecem, pondo fim ao último sentido que me restava. Há cacos de mim pelo chão. Os demais atores esmagam-nos sob suas botas brilhantes, mas já não é hora de sentir compaixão por mim. Perdi-me há muito, quando pus o pé ali, naquela mesa de sacrifício. Perdi-me nas chamas do inferno.&lt;br /&gt;--- A chave gira a fechadura do coração mais uma vez. Saio dele. As gratificações no camarim não me enchem de maneira alguma. Convivi com a morte durante todo espetáculo, mas apenas fui sepultado ao fim da última palma. Agora eu sou um nada a esperar a próxima hora de por a alma na coxia. Mas se quer saber, acho mesmo que eu não tenho alma. Eu tenho é máscara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*J. Goethe, em &lt;em&gt;Fausto&lt;/em&gt;: "Aí vindes outra vez, inquietas sombras."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-3865421821207187547?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/3865421821207187547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=3865421821207187547' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/3865421821207187547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/3865421821207187547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2009/07/inquietas-sombras.html' title='Inquietas Sombras*'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-3315566995815525639</id><published>2008-12-15T13:31:00.001-08:00</published><updated>2009-07-20T10:29:28.903-07:00</updated><title type='text'>À Judith Deboi</title><content type='html'>Minha cara,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é novembro, nem noite. Cuido que a chuva, ritmada pelo céu, faça de mim mais noite e muito mais novembro.  &lt;br /&gt;  Lembrei-me que apesar da lástima em que me encontram as mãos, nao há doença maior que me pudesse impedir de lhe escrever. O que já é por si só, uma doença. Se a sombra é boa, o fardo é grande. Na sombra de conhecer uma alma tão deliciosamente linda – leitora de minhas letras -, acabei por trazer o demônio nas mesmas vestes. E este demônio é santo. Mas que fique claro, que me refiro por estas frases, exclusivamente, à minha boa Judith de outrora.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nunca, escrevo-lhe de peito calmo; sem dores no coração. Você nunca precisou de amor, quanto mais fosse piegas. A pena em minha mão já não desenha as mesmas letras redondas e perfeitas. Sabe, o tempo é imundo, mas não a hora. A hora é cicatriz, é estática. O tempo passa, e arrasta, e mutila. És você o  meu tempo, Judith. Você tomou-me os dias e os meses, deixou um pobre miserável desiludido e doente. E se amanhã, eu não acordar, esta notícia lhe dará ainda mais motivo para viver. Enquanto eu vou me esvaindo a cada letra e a cada gole de café, você vive ainda muito alegre. Você nasceu antes do mundo. E quando o planeta era ainda criança, dir-se-ia que você lhe trocava as fraldas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio, não ter revelado o tamanho fogo que me motivou a lhe escrever. Pois bem, ficará sem mais essa revelação. As palavras aqui escritas já não correspondem à vontade de meus dedos em escrevê-las. Não sei como ou por que aconteceu. Aconteceu. E então eu já não tenho mais o que dizer. Eu nem me lembro se você existe mesmo, ou se não é mais que um dos devaneios da gente frívola. &lt;br /&gt;Bem, se não encontrar muito que ler nesta carta, há de me desculpar; não há, de fato, muita coisa para dizer. Cansei mesmo de retirar palavras de dentro de mim. Digo, então, por fim, que os pingos que borram esta carta não são lágrimas. Não sei bem, mas parece ser café. Perdoe os descuidos de um velho, já ruim do coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-3315566995815525639?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/3315566995815525639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=3315566995815525639' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/3315566995815525639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/3315566995815525639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/12/mon-judith-deboi_15.html' title='À Judith Deboi'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-6672884115268565935</id><published>2008-11-08T17:25:00.000-08:00</published><updated>2008-11-12T15:40:32.089-08:00</updated><title type='text'>Em celulose.</title><content type='html'>“Uma esfera enorme na dor que era ver em contorno – cujo nome carecia pela infância do mundo – foi chamada, sabiamente, de Sol por um amigo. O tal Sol já nos fazia arder em carne e suportar, no vermelho da pele, o calor do deserto.&lt;br /&gt;   O nome do deserto eu não lembro, pois caso me submetesse ao esforço para lembrar um nome, por certo desmaiaria e poria em chamas o meu corpo, no ouro da areia. O caldo de minha mente, marcado em ponto fixo, tornava-se involuntário. Pois que então eu seguia, na busca de um nada, do nada e ao nada. Mas era sim, um nada muito mais que a soma de tudo e, por muitas vezes, eu caía em desacordo comigo mesmo. E eu caía também no chão e afundava junto à areia para o centro da Terra, para esquecer-me lá. Para fazer de mim, mais lenha estalando na fornalha. &lt;br /&gt;   Então veio a vírgula deste meu relato. Fazendo sombra com a mão esquerda, pude enxergar quase que na combustão de minha vista, uma pequena folha de papel sobre as dunas. Nela, portanto, me fiz em papel. No papel que vai durar o tempo necessário. Mas vai também, no futuro, diluir-se em água. Aí, o papel vai matar minha sede. E será essa a minha solução; serei o soluto e o fim dos problemas. Você me lê; então, estará tudo bem."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-6672884115268565935?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/6672884115268565935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=6672884115268565935' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/6672884115268565935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/6672884115268565935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/11/em-celulose.html' title='Em celulose.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-4491370772392124594</id><published>2008-08-23T09:22:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T16:50:45.842-07:00</updated><title type='text'>Strawberry Fields Forever.</title><content type='html'>--- Mas sabe, eu sei quando é um sonho. Quando é um sonho é mais gostoso, sempre, não, algumas vezes penso que sou eu mesmo. Que eu fui e sou aquele campo de morangos. E que piso perto de você, quando vou ao campo dos morangos. Vejo despencar os morangos, pois lá, a copa de suas árvores e bem alta e é possível vê-los despencar. Alguns morangos despencam rápido demais. Mas tudo parece funcionar bem. Mas tudo parece um sonho. Nada é real. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;--- Campo de morangos para sempre, sempre, sempre. E não acho que alguém esteja na minha árvore. Ela está só, caíram os seus morangos. E lá se pode perceber que ela ainda não está triste, é claro. Porém, é preciso que cada qualquer pessoa cuide dela e faça brotar dela novos morangos. E não será tarefa difícil, é de longe a mais formosa árvore, que o laborioso nutritivo de um sonho regou. Fez-se germinar de pálpebras postas. E fez das noites mal dormidas a sua redoma de vidro. Agora vou, estou indo para o campo dos morangos, não há por que esperar. É para sempre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;--- Viver é fácil de olhos fechados, sem entender realmente o que você vê. Está ficando muito difícil de chegar lá. Acho que não mais conseguiremos ver, mesmo de olhos fechados. E como, então, chegar ao campo de meus morangos? É por pra tocar sua voz, do homem que apaziguou a vida de quem vive. E a voz dele guiará quem for ao campo dos morangos para sempre. Quando o caminho se mostrar, você já não conseguirá distinguir o Não do Sim. E tudo pode parecer um sonho. Mas sabe, eu sei quando é um sonho. E às vezes, é muito difícil saber... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;--- Mas está tudo errado, por isso eu acho que discordo. Não se caem mais os morangos como antigamente. Não se permite que despenque em calma. E quando eu for àqueles campos, deixe-me te botar para baixo. Pois que eu fui, quero agora inflar meus pulmões do morango, do morango dos campos para sempre. Sempre, não, algumas vezes. E eclode o fim, quando o sempre dos morangos cai em minhas mãos. Não os quero pegar, quero vê-los cair lentamente apenas. É muito mais difícil faze-lo e acho que não sou mais eu. Algumas vezes, penso que sou eu mesmo lá, fazendo despencar morangos do alto da árvore. E nunca passa disso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;--- A copa de ramagem cinza ameaça cair, e eu não quero vê-la cair, quero apenas seus morangos. Não quero estar presente quando todos os morangos tocarem o chão de uma só vez. Como se fosse muito pedir morangos... Dora em diante, quero tê-los só para mim. Não será mais para sempre, e não será breve também. E as despencas de morangos se tornarão enfadonhas: chegou o fim. A grama dilui os morangos. Nada é o que parece ser. Mas sabe, eu sei quando é um sonho...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-4491370772392124594?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/4491370772392124594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=4491370772392124594' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/4491370772392124594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/4491370772392124594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/08/strawberry-fields-forever.html' title='Strawberry Fields Forever.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-5585105403045533230</id><published>2008-08-17T10:50:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T10:28:21.384-07:00</updated><title type='text'>Relicário por escrito.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;--- Os finos dedos de sua mão esquerda deslizavam sobre o papel, segurando com uma imensa leveza a caneta que seu pai lhe dera na noite anterior. Era uma caneta comprida e macia, envolta em certo pedaço de borracha e com a tampa repleta de furinhos e marcas provindas de uma boca nervosa. Não era lá a caneta mais bonita, mas ainda assim era confortante saber que, com ela, era capaz de escrever algumas palavras. Palavras essas, que depois de muito bem escritas, eram engavetadas de forma cruel e nunca mais lidas. Palavras proibidas de desfilar para outros olhos, senão os seus, diminutos e negros como o ébano.  Palavras suas, parte dele mesmo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;--- E com a vinda do outono, cada folha que caía do ipê parecia brotar-lhe na cabeça uma nova idéia. E escrevia tudo, punha tudo que acontecia ao seu redor no papel, em forma de letras desalinhadas e redondas. Enquanto outros garotos brincavam no quintal, ele preferia sentar-se frente à lareira, despir os sapatos e escrever suas palavras. E daí saía o sorriso que o habitou por muito tempo. Muito tempo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;--- E ele escrevia sobre tudo, sobre monstros marinhos, cemitérios de padres, frutas anormais, barreiras no tempo, cidades londrinas e sobre sua pequena família. Era o seu amado vício, sua matéria-prima para viver e mover seu mundo. Não o compreendiam. De quando em quando, ouvia certas coisas do tipo: “Palavras! Simples palavras! Que é que se tem de mais nas palavras?!”. Ah, como tinha.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;--- Então, foi triste. Foi muito triste quando acabaram-se as palavras e a tinta de sua caneta secou. Quando não era mais capaz de encontrar a fonte de sua felicidade. E ele criara uma certa dependência quase química pelas palavras. Não poderia viver sem elas. Achou, portanto, melhor calar-se; não falaria e não pensaria mais em nada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;--- Acabaram-se os sorrisos e toda a tristeza do mundo pesou em suas costas. As inúmeras palavras que ele escrevia todos os dias tornaram-se lágrimas pesadas e gélidas que despencavam com tremenda força de seus olhos, já vermelhos e ardidos. Então estava tudo acabado. Não haveria mais alegria em seu papel, haveria sim tristeza, muita tristeza. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;--- No fim, a tristeza e a depressão moviam seu mundo. E ele viu nessa aí, a fonte de sua renascença. Escreveria sobre sua tristeza e sua incapacidade de grafar, de forma alegre, suas palavras. Contaria em seus versos, que a tristeza não tem fim. As emoções o trariam e o levariam. E foi assim, portanto. Triste fim, quando essa mesma tristeza é bela. Eis minha autobiografia. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-5585105403045533230?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/5585105403045533230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=5585105403045533230' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/5585105403045533230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/5585105403045533230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/08/relicrio-por-escrito_17.html' title='Relicário por escrito.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-7648128456558006337</id><published>2008-07-29T08:19:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T10:26:17.541-07:00</updated><title type='text'>A moldura da carne</title><content type='html'>Todos os olhos estão ali. Todo museu resume-se a isso.  Após o baque, vem o entendimento. É sempre assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por dentre a ribanceira além-mar, à luz de sete sóis de raio livre, ela banha-se na ponta d’água gotejante, num marulho efusivo sobre a nubla cor do celeste. Os cachos dela seguem o fluxo do riacho, donde nasce - da modéstia mãe - o brilhante gênio daquele veraneio. A fonte esparsa, cama de pedras pontiagudas, dá a luz ao jovem fio de vida, que desliza com calma sobre a terra. &lt;br /&gt;Tal qual a perspectiva difusa do quadro, ela deixa escorrer pelo seio o frio das gotinhas miúdas e o floreio pálido de sua pele completa a moldura. De terras longínquas, onde o todo glacial encerra no tempo os vestígios de vida, ela surge, ainda não intimidade por arrepios sinistros que lhe envolvem todo corpo, ainda não teme o frio. Tanto que deixa o cabelo cor de fogo apagar-se sobre o leito manso da foz. Docemente ela emerge completamente e nada serena, como um jovial espírito que descobriu a liberdade. Está frio, muito frio. Embora o verão – que nada difere muito do inverno -, as águas têm aspecto negro. Ela assiste vidas irem por dentre as ondas sutis que lhes ceifam a vida. No semblante, ela é mãe e pai; é filho também. Filho que o tempo tomou, que foi como peixe para o fundo do mar. Mas ela não é a única na pintura, atrás, bem atrás, há um velho senhor de peito nu que aguarda virem as primaveras. Tem na ponta dos dedos uma margarida de três cores. Esse não é mais vivo. Tanto praguejou contra o frio, que este veio tomar seu corpo. É também gelo agora. No alto da pintura, as gaivotas (ou urubus?) parecem aguardar cada vez mais as mortes. Porque naquele cenário brilhante as pessoas põem-se a admirar tudo, esquecem-se do fim. E ele chega, porque é tudo a obra da carne viva.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-7648128456558006337?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/7648128456558006337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=7648128456558006337' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/7648128456558006337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/7648128456558006337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/07/obra-da-carne-viva.html' title='A moldura da carne'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-8695551145908283029</id><published>2008-07-17T17:40:00.000-07:00</published><updated>2008-07-17T17:41:24.162-07:00</updated><title type='text'>Abismo: tanto no início quanto no fim da vida.</title><content type='html'>É infinito. É puramente infinito, como se não fosse sóbria essa mente maldita que vos fala. Não, não é sóbria. É triste, morta. Essa pena de abutre escreve sem meu esforço, sem minha real vontade. Está possessa. Sabes bem que não tenho apreço pelo exagero.&lt;br /&gt;Acredite, quando sóbrio eu não lhe dou a dádiva de meus pensamente. Não penso em você. &lt;br /&gt;Vêm vindo as sextas e essa alma cretina me toma. &lt;br /&gt; É carcaça, tanto nojenta quanto imunda. Repleta, mas vazia. Repleta de trezentas frustrações, no que me cabe estas réplicas imundas. Tento lhe ser igual, como dois amantes díspares que pouco se falam. E nada tenho em mãos. Esse rabisco mal feito – santo fruto de seus dedos - seria o maior de meus tesouros, se não fosse meu óbito inacabado. &lt;br /&gt;Áspero Amor, é maldita lacuna. É maldição. &lt;br /&gt;Agora, se poupe dos choramingues, quando, amanhã, me ver boiando morto no rio. Nas caldas do inferno que me flamba. Não vá apagar meu doce incêndio com essas lágrimas tratadas. Deixa-me, por fim, cozinhar no fogo eterno. Fogo lento... &lt;br /&gt;Quando quiseres rever-me, escaparei bravamente desse mar de saudade. Na verdade, transformarei minha saudade em minha maior arma. Terei ódio e rancor, mais, muito mais. &lt;br /&gt;Tenho-lhe também ordens.&lt;br /&gt;Deixa-me nova foto, essa que tenho é velha. Hora meu velho origami, já marcado por infinitas dobras. Está gasta pelas centenas de olhares. Está molhada de não sei o quê... de mentira, talvez. É, de mentira. Você acha que me conhece, apesar de nunca ter me visto. E se engana – como se engana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, esse teu maravilhoso se esvai no ar. Torna-se danoso às narinas públicas, nada que difere do princípio. Teu ar é santo, é puro, mas me basta. Enfim, basta. E não quero ter como última memória essa tua voz que me privou boas fases da vida, que apertou meus sentimentos sem nem dar-se o luxo de conhecê-los. E esse abismo agora é só meu. O rio logo abaixo – meu leito eterno – é escuro. E será de bom grado, meu chão arado. Minha cama negra de todo dia. &lt;br /&gt;No fim – neste fim – vou pertencer ao grande oceano, lançar-me-ei aos seus semelhantes, feras famintas. Darei a elas minha carne, minha vida. E só. &lt;br /&gt;Agora vou. &lt;br /&gt;Basta...&lt;br /&gt;...Eu te amo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-8695551145908283029?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/8695551145908283029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=8695551145908283029' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/8695551145908283029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/8695551145908283029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/07/abismo-tanto-no-incio-quanto-no-fim-da.html' title='Abismo: tanto no início quanto no fim da vida.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-3455765907364208188</id><published>2008-06-14T12:04:00.000-07:00</published><updated>2008-06-14T10:14:40.072-07:00</updated><title type='text'>Baile de máscaras e suco de laranja azedo</title><content type='html'>--- O cotidiano essencialmente humano. Que Burgess o tenha descrito na Laranja de forma tão bizarra é provável que consterne, o que provavelmente não consternará é que as mentes ignóbeis o tenham feito de forma concreta. A “dispensa social” tornou-se um perfeito estoque para máscaras. As pessoas tendem a fugir de assuntos filosóficos e teorias existenciais, sobretudo, no que concerne em “fichar” o perfil do jovem moderno e atribuir-lhes um padrão, ainda que instintivo. Elas fogem quando lhes é proposta uma reflexão social. E isso é normal, não digo que seja bom, mas é normal. &lt;br /&gt;--- Eu sempre detestei a filosofia e não tenho a intenção de fazê-lo pensar nas questões éticas da vida, mas, às vezes, cabe um pouquinho de existencialismo. E agora veja, essa nomenclatura galante é mais uma tentativa de mascarar a verdadeira profundidade disto. Como eu disse, é instintivo.&lt;br /&gt;--- Perceba que a Laranja Mecânica é uma de minhas obras favoritas, e não existe melhor forma de se definir o comportamento social. Portanto, hei de tratá-la aqui como a base para o entendimento dessa “embromação” filosófica. Volto a fazer menção das máscaras. Tem horas que agente é cão, gato, peixe e lagarto, e no final das contas não sabe mesmo que pele vestir. Não sabe, não é porque se esconde atrás da personalidade humana um caráter falso e mentiroso, mas porque vem do próprio jogo social à que estamos submetidos. Quero dizer, nas muitas atitudes cotidianas as pessoas precisam saber se manter um uma hierarquia, adequar o nível de “atenciosidade” e por muitas vezes, há uma certa necessidade em maquiar a verdade.  &lt;br /&gt;--- Como sugere Burgess, o homem moderno está mecanizado e desde o berço tem sua predestinação. Devo afirmar que isso não é lá muita coisa, aliás, não é coisa alguma. É tudo uma questão subconsciente, não tem “bom e mau”, “certo e errado”... não tem. E Isso é horrorshow! Não tem a pessoa boa; tem a pessoa com complexo tendencioso a manifestar ações positivas e não-prejudiciais aos demais. Todo mundo é mau e isso depende muito de que máscara estamos usando. E talvez seja por isso que o Teatro é tão fascinante! Uma forma explícita de exercer uma mentira cativante!&lt;br /&gt;--- Tudo é relativo. Não gosto de frases feitas, mas tenho que admitir que colhemos aquilo que plantamos. Somos complementares uns aos outros, somos feito pó velho num cinzeiro; um grãozinho de pó não faz o boêmio levantar-se da cadeira e esvaziá-lo, creio que seja mais ou menos isso – e eu não sou a melhor pessoa para lhe dar exemplos. Tudo é relativo e toda rotulação é burra.&lt;br /&gt;--- Tal qual De Large e seus druggies, essa insensatez torna-se absurda quando comparada aos moldes do homem civilizado. Mas se lhes disser que é menos a civilização e mais qualquer outra coisa – a mente, talvez – é bem provável que não acredite. E freud NÃO explica. Agora, ainda que eu tenha respeito às opiniões alheias, é extremamente frustrante essa sua descrença infundada. Algo que contribui para essa acoplagem sem freio. Essa massa cinzenta de marionetes mutiladas, as quais o domador é de natureza acéfala. É triste, mas essas reflexões “tardias” condizem perfeitamente com o século presente. E o mais revoltante é perceber que essas palavras bonitas – que eu tanto indago – são merda em pó no exercício de padronizar a sociedade. Aliás, tudo é merda em pó no que diz respeito à sociedade! E para o “grand finale" eu vos digo que todas essas sentenças lidas acima não passam da mesma ignorância relatada nas primeiras frases. É, eu não sei de nada, e nem você. Niguém sabe. Os dados estão na idade da pedra, e a ciência tem parecido cada vez mais um texto de Comte! Absurdo! &lt;br /&gt;--- Tudo bem, vou me acalmar. É bem capaz que eu venha a perder minha sanidade – isso, se já não o fiz! – além do mais, é uma forma bem estranha de texto. Eu sei disso. E sei também que se cinco pessoas estejam lendo isso agora, é muito! Cinco? Talvez duas. Quer saber? Eu dispenso a sua atenção. Afinal, você não sou eu, e por mais que fosse, é mesmo tudo “tão bizarro quanto uma Laranja Mecânica”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-3455765907364208188?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/3455765907364208188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=3455765907364208188' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/3455765907364208188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/3455765907364208188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/06/baile-de-mscaras-e-suco-de-laranja.html' title='Baile de máscaras e suco de laranja azedo'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-1674083983483872389</id><published>2008-06-06T16:40:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T18:14:56.311-07:00</updated><title type='text'>Sob o Céu turquesa, descansam olhos.</title><content type='html'>Qualquer que fosse a sombra projetada perto da menina, qualquer que fosse o rastro de penumbra sobre os gomos de sua saia, nada fazia valer importância. Qualquer coisa lhe era dispensável, qualquer sabor de morango, qualquer coisa alguma, tudo estava distante e proporcionalmente afastado ao seu estado de espírito. Quando os raios solares marcavam-na a pele, quando a chuva lhe feria os pulsos e, sobretudo, quando a relva matutina a tornava obcecada em descortinar formas às nuvens. Na verdade, era esse o seu plano de vida, viver com a vista nas nuvens, esperando ver novos contornos celestes. Sua máxima era sentar no toco tomado de fungos e descansar a vista nelas. Ela amava as nuvens. Passava horas a fio a desvendar a magia que elas encerram. Nada além da natureza, adornando a vida daquela menina, nada mais puro que sua íris espelhada, nada mais cativante... Maluca? Talvez. Ela não tinha muitos amigos, na verdade, não os possuía mesmo, e esse não era o maior dos problemas. As pessoas descrentes e instruídas, os dotados dos “bons modos” achavam-na a rainha dos bobos. Mas como vos disse, pouco importava a opinião pública, e quando a perguntavam o que de tão belo havia no céu, ela dizia estar “contormejando” as nuvens, contornava e almejava... É claro que o eufemismo não lhe poupava à exposição e, de certa forma, dava-lhe certos ápices de prazer quando distinguia um coelho, ou um cordeiro nas nuvens, aquilo aguava seus olhos de tal maneira inexplicável. &lt;br /&gt;Traçou metas impossíveis e fez promessas aos deuses mais díspares. Sonhou puritanamente com sua liberdade e tentou por fim ao limite. E foste tão cruel consigo mesma que por muitas vezes teve a esperança abalada, tropeçou e cada dia a distanciava mais das nuvens. Começou a realizar um futuro frustrado, cheio de lacunas a se preencher por algo que nunca foi, e aos poucos derramava os sonhos no papel e os arquivava em gavetas há muito esquecidas. Fechou os olhos, então. Deitou a cabeça sobre a grama fresca e gélida e pôs-se a dormir. &lt;br /&gt;A chaga eterna que marcou seu peito doía ardentemente sobre o botão de prata. Parte de sua alma estava nas nuvens, e jamais alcançaria seu id perfeito e selvagem. Aquilo de certa forma provocou um novo parto na menina. Um parto e um aparto de seus sonhos pueris, um aceno de mão eterno. Sem maiores brasas de esperança, e desiludida com seu platonismo celeste, ela guardou tudo numa caixinha chamada memória.&lt;br /&gt;E cresceu. Virou mulher, estudou. Ficou famosa, invejada, rica. Fugaz, astuta, maliciosa. Pautava sua vida sobre os moldes da razão, da moral e dos bons costumes. &lt;br /&gt;Adentrou os mares da matemática, da complexidade e do raciocínio. Uma mulher ocupada e vazia. Nunca mais passava perto do quintal, o que na verdade não mais podia ser chamado de quintal, pois o mato já roçava nos joelhos. &lt;br /&gt;Ah, mas o que aqui seria uma narrativa absurdamente longa, não será. Pois não pense cá que as gavetas e as caixas rígidas do passado não se abrem. É, um dia elas abrem, pode esperar. E... abriu, portanto.&lt;br /&gt;Ela sentiu uma estranha necessidade, algo que não sentia faz tempo. E estremeceu. A idade vinha buscá-la, trazendo um turbilhão de antiguíssimas sensações. Teve vontade de despir os sapatos e caminhar no jardim. Mas o faria rapidamente, na verdade, seria até rápido demais. Apenas um frescor para a mente. &lt;br /&gt;Uma sensação estranha, que nem mesmo minha onisciência explica. Ela flutuou sobre os cipós e a vegetação baldia, voltou três décadas no tempo e as rugas sumiram-lhe à face. E foi aí. Em um giro, em seu momento mais efêmero e vertical que ela notou as gotas brancas e gordas que nadavam num azul tão maior. Coisa tão linda, tão linda, que piscou forçando a pálpebra para garantir que era real. Era real, era mesmo. E ela então lembrou de tudo. Das estações castigando-a sobre as urzes do quintal, do sol clareando o céu. Das nuvens. Nuvens, as amadas gotas de algodão. E por um instante sentiu-se completa, se sentiu viva. Sentiu a carne e a mente no exercício de viver. Sentiu-se plena, perfeita. &lt;br /&gt;Os céus, então, alcançaram-na. Formaram um conúbio santo de total entrega... Desmaterializam um ao outro. A alma dela está livre agora. E Deus responde; os envolve num sincero abraço. Ela ouviu o canto dos pássaros. Ouviu... ah, um coelho!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-1674083983483872389?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/1674083983483872389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=1674083983483872389' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/1674083983483872389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/1674083983483872389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/05/da-poeira-csmica-aos-copos-descartveis.html' title='Sob o Céu turquesa, descansam olhos.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-7806488140052201910</id><published>2008-05-16T16:34:00.000-07:00</published><updated>2008-07-06T10:08:42.440-07:00</updated><title type='text'>Santa dor que me punge.</title><content type='html'>--- Meus olhos descansam nos teus. Mas você parece não perceber ou importar-se com isso, não... você não entende. Você nunca vai entender, nem enxergar, sabe por quê? Porque você não quer, você nunca quis. E é tão insignificante para você o que eu sinto.&lt;br /&gt;Você nunca me visita... É agonizante ver-te por uma só vez em sete. Eu quero ter você mais vezes, mas isso não é digno de importância, é... você está bem assim, por um ano de paz e calmaria. E eu sinto tanto em ser o outro... Eu não queria ser assim.&lt;br /&gt;--- Amo encontra-te listrada, amo tanto os teus olhos – como os amo. Tem sido extremamente difícil, mais para mim que para qualquer outra alma. Aliás, eu não sei bem o que está acontecendo... Tenho estado por muitas vezes em cólera profunda, afogado em águas gélidas. Tão próximo... e tão distante da sua janelinha, da sua persiana, de você... tão afastado das coisas boas, das TUAS coisas. Sim, tudo isso pode ser inesperado, mas é aonde eu me encontro, no alto da colina fria, onde o vento é cortante no verão e dilacera o amor no inverno. &lt;br /&gt;--- Não era de acreditar em sentimentos fortes e quentes, tampouco cair de amores desesperados, tudo isso é novo para mim, pode acreditar. Eu te amo, querida, eu te amo. O que mais fazer para mostrar-te? Hem, diga-me, que faço para trazer-te ao meu lado e encostar a cabeça em teu ombro, no teu suéter vermelho. Quantas vezes mais preciso desejar-te aqui, comigo? E tirar-lhe boas risadas e expressões de puro inglês? Viver tua fala na pele... embolar passos fora de compasso, ouvir sobre você, respirar você. &lt;br /&gt;--- Nesse dia eu vivo, eu espero com a ansiedade de mil pés aveludados. Eu conto as frações que me restam longe de ti. E quando ele chega, me transfiguro em você, ponho as pálpebras na tua direção e espero você vir me chamar por outro nome. Preparo o coração três horas antes, para te curtir indiretamente; a sua voz, a sua loucura, o teu ar de jovem e os olhos sábios e vividos – os que me levam a segurança das matas verdes – seus olhos tingidos de preto... Em você o preto se torna a mais alegre das cores. Tudo em você é perfeito, mas dura pouco. Quando o dia acaba e você vai-se apressada, você me assassina, acaba de me matar, e eu hiberno no frio. Veja, o que na verdade me mantém é saber que dali em sete vou te ver novamente, com teus olhinhos brilhantes e pueris. E essa é minha anestesia. &lt;br /&gt;--- “Amo o chão que pisa, o ar que respira, tudo quanto toca e tudo quanto diz. Amo todos os seus olhares e todos os seus gestos, amo-te toda inteira, completamente. Aí está”&lt;br /&gt;--- Bicicletas, mundos mágicos, colinas em verde manto, pequeninos sábios, medo no natal, puxador de charretes do submundo, filhos pródigos, e uma mãe amada. Coisas tuas. Sagardas coisas! Coisas que eu guardo em mim, que vão jazer na minha memória e colorir esse último ano da tua arte. Espero ler toda vida a sua vida, poder encharcar de luz o teu palco. &lt;br /&gt;--- Sabe o que eu quero com isso? Não explodir. Diminuir a angustia e te mostrar o que a boca não é capaz de fazer. Tudo bem se não me amar, eu só vou morrer aos poucos... Você vai sepultar-me em terra sem a vontade, e eu aceito isso. Eu respeito isso e sou incapaz de sentir outra coisa, senão o mais fervoroso dos amores. Agora vê? Fico satisfeito. Mesmo que não mude patavinas, há algo maior e mais belo, e que nada nem ninguém pode me negar a possuir. Algo que habitará para sempre a minha existência. Eu tenho você em mim. Eu sou você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-7806488140052201910?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/7806488140052201910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=7806488140052201910' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/7806488140052201910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/7806488140052201910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/02/fiddgins.html' title='Santa dor que me punge.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-2223299925973259980</id><published>2008-05-09T18:16:00.000-07:00</published><updated>2008-07-03T13:55:45.633-07:00</updated><title type='text'>Tinteiro orgânico.</title><content type='html'>Sinto que estou morrendo. É tanto físico quanto mental. &lt;br /&gt;A cada dia que passa, viver se torna mais difícil. Suplico ardentemente à morte: "que venha me confortar, minha boa morte!". Neste nefasto aposento, onde a carne pede pela piedade, as torturas me acalmam serenamente. A epiderme me dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei com ódio, o que não é diferente dos demais dias, a dor vem-me sempre, chego a não mais senti-la. Meu sangue parece ter parado e acho que minha mente já não segue o tempo cronológico das coisas.&lt;br /&gt;Meus braços estão frios e não sinto mais as pernas. Deram-me três meses. Acho muito.&lt;br /&gt;Nesta prisão, de paredes tristes e opacas, viverei os últimos dias de minha vida. E há quem diga que a esperança é a última que morre. Mentira. A minha está morta, e seus próprios vermes a devoram.&lt;br /&gt;Nesta carcaça doente que vos escreve, está retida toda maldade e todo ódio inútil, por assim dizer. Talves seja inútil para mim, ou quem sabe não. &lt;br /&gt;Talvez, seja realmente necessário passar por isso. Não me queixo, ainda não. Em breve, bem breve mesmo, eu já não vou sentir mais dor. &lt;br /&gt;O inverno tem sido longo. Oitos anos, acho. &lt;br /&gt;Quem sabe lá no céu eu possa ver as tulipas, correr pela imensidão dos pastos a fora, é... Quem sabe. Eu não sei, talvez eu vá arder as costas no fogo eterno. A julgar pelas vidas que tirei...&lt;br /&gt;Seria ingratidão minha dizer que sofro, apesar de que sofro, mas estou contente com a dor, será tudo diferente. Amanhã, eu vou amar de novo, de noite, me embalar no sereno e a última lágrima tocará o chão, e levará consigo toda a minha dor.&lt;br /&gt;E vai borrar esta carta escrita com sangue. &lt;br /&gt;Espero que tenhas mais alegrias em tua vida, eu tive pouca. Espero que consiga sair daqui. Sinceramente, eu espero. &lt;br /&gt;Assim, deixo-te com esta carta, e com meu último sopro de vida. E se fores, fiel leitor, um de meus algozes: obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-2223299925973259980?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/2223299925973259980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=2223299925973259980' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/2223299925973259980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/2223299925973259980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/03/inverno.html' title='Tinteiro orgânico.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-762699703125829845</id><published>2008-04-18T21:15:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T08:22:39.562-07:00</updated><title type='text'>O carnaval da madrugada.</title><content type='html'>--- O semi-árido é como que palco do Brasil, cada fenda que brota é um sonho, é pena virar erosão com toda sua homogeneidade. É sim, a lógica de um perfeito Brasil de poucas cores e de essência rara e fragmentada. E é para lá dos sertões que passa o carnaval da madrugada.&lt;br /&gt;--- Na totalidade, eram bonecos de pano gasto. Em um coro de lamento pelo agreste, aquela onda trazia ainda mais sombra, aderindo-se aos bumbos e flautins. Parecia um tanto quanto distante, talvez seja ele um mau juízo da miragem, ou da reza profana... Não, não era simples ilusão, estava lá, um cativante carnaval de novembro, cantado em ouro e bronze.&lt;br /&gt;--- E a parada que tanto se escuta, carrega consigo os ribeirinhos de mentira e de saliva seca. E a peça de roupa úmida fica na margem, só observando a graça esculpida na grande farsa do carnaval. E aquela gente jardinava entre os passos o que um dia fora um deserto dos mais quentes. A mãe era ao mesmo tempo senhora e filho febril, ambos de pés rachados, caminhando e indagando o que há muito não se via nas calçadas do Brasil.&lt;br /&gt;--- Houve a perda e a morte na terça, no entanto, não pudera o céu curar a dor do aparto. E assim aquelas pessoas pouco davam importância aos corpos, elas seguiam cegas pelo bloco. Os jovens e os velhos, todos perpetuavam o ritual, e a lepra e o câncer sararam pelos três dias. O bloco seguia para o sul.&lt;br /&gt;--- Do gado, do mato, de algum lugar saía a marcha desenfreada, e não pense haver uma razão que justifica tamanha peregrinação, pois não há, o combustível era o suor. Até a quarta ninguém falou, eram risos e fardos do bloco ascendendo ao morro em busca de acoplar toda a gente. Não era possível distinguir tronco e membro do cardume, ele era um só, e os pés tinham a mais perfeita sincronia... E já totalizavam a infinidade.&lt;br /&gt;--- Ninguém nunca soube quem eram aqueles, talvez fossem almas errantes... E para onde iam? As perguntas dilatavam-se agora na ponta do continente, a beira mar. Nada podia conter a manada, e a rua estendeu-se pelo oceano. Oh, quantas daquelas pessoas nunca retornariam às suas casas... Elas já sagravam a carne, mas isso não importava. Era sangue e poeira, poeira e sangue, e só.&lt;br /&gt;--- Era impossível vê-las como gente, faziam-se passar por marionetes. Todas iguais, a mesma face e o mesmo fim. As chagas da perna deixavam um rastro vermelho por onde passava aquele bloco. Qualquer dor não importava, na verdade, não era coerente atribuir sentido àquilo, e resumia-se a um enorme lençol de anônimos rastejantes.&lt;br /&gt;--- Ah! E eu fui pego pelo bloco. E no fim, as cabeças eram as próprias lápides, e os vermes eram eles próprios. O carnaval da madrugada peregrina até os dias de hoje, e cada vez mais numeroso. É... e eles ainda derramam sangue, aliás, como demora a quarta de cinzas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-762699703125829845?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/762699703125829845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=762699703125829845' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/762699703125829845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/762699703125829845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/04/o-carnaval-da-madrugada_18.html' title='O carnaval da madrugada.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-3873188318878472043</id><published>2008-04-13T18:28:00.000-07:00</published><updated>2008-07-03T13:48:07.994-07:00</updated><title type='text'>Dias felizes são raros.</title><content type='html'>... Porque naquele dia eu senti a areia entre os dedos. E o escuro não me trouxe coisa alguma. Porque eu nasci na véspera, entre o minuto final de ontem. O dia em que a geada não veio. A lua surgiu cedinho, e pôs-se a admirar o sol. Foram vinte e quatro horas de amor. Mãe e eu. Doce senhorinha dos lenços orientais.&lt;br /&gt;--- Não cabe dor no meu dia, foi tão diferente de tudo. Tiramos uma foto em que a mamãe sorriu, nunca pudera eu admirar seu lindo sorriso. Éramos os dois, um só elo de mãos dadas, marcando as pegadas na praia... Naquele dia não choveu, e nós fomos de bicicleta à praia, e os muitos centavos de nosso cofre não pagam o que eu sentia.&lt;br /&gt;--- Eu tinha três anos, mamãe já estava doente, quase não saía da cama. Eu pedi tanto, que naquele dia ela me levou à praia. Mamãe levou uma cestinha envolta numa toalha xadrez cheia de pãezinhos que ela mesma preparou. Bem fomos nós pela estrada do matagal, a terra cheirava - ou o pão, vá saber- ...&lt;br /&gt;--- Amor de mãe é sempre bom, claro que eu tive pouco, mas o suficiente para validar o sentimento, era realmente bom, eu sinto falta. Ela virou uma estrela nova e linda, talvez tivesse ela que cuidar de alguma flor, e só deixou-me estrelas que riem.&lt;br /&gt;--- O dia engatinhava para o fim, mamãe trouxe-me uma pombinha engaiolada cheia de pesar, solfejando seu suor em forma de música. Tinha a asa esquerda quebrada e mamãe deixou-a aos meus cuidados. Eu não sabia da magia da metáfora, mas vá lá, eu gostei dela. Mas como a manhã vai, eu volto ao meu dia, o mais feliz deles. A essência estava toda no sorriso, nos cabelos negros que o sol reluzia. Eu era bem diminuto, mas esperto, e como era. Mas eu sabia que ela iria viajar e se hospedar num lugar bem tranqüilo. E a passagem estava comprada, portanto, tratei de fazer o dia feliz. Um singelo dia feliz.&lt;br /&gt;--- Não se deve apostar na memória, e de fato, os dias caem no esquecimento, os dias são passageiros e evaporam-se como as lágrimas. Todavia, as lágrimas do meu dia eram lágrimas de amor, e a estas não reserva espaço à atmosfera. Agora, admito que muitos dos relatos provêm da mente, e a mente é a maior das suseranas, faz sempre o que lhe cabe, e o que quer. Portanto, não vá tornar insano, o meu dia.&lt;br /&gt;--- Não reservo mágoas, nem dor. Pudera eu fazer algo, senão deixá-la ir? É triste, mas é fato. Ela foi e deixou-me um “flashback” presente nas linhas tortas de minha história.&lt;br /&gt;E é tão comum nos perdermos no tempo...&lt;br /&gt;--- Naquele dia, mamãe usava um vestido azul, e parecia fazer parte do mar, do imenso azul que ela contemplava, e que as lágrimas, exatamente iguais ao mar, foram poucas. Ela vivia outra vez. Ela me disse que os sonhos nem sempre são de mentira, e que os pesadelos já não existiam mais. E nós dormimos, adornados pelo céu alaranjado da tardinha. Mamãe espelhava o mar, e sua voz chamava ao marulhar das ondas. Naquele dia, no minuto de ontem ela se foi, e eu ouvia o marulhar das ondas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-3873188318878472043?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/3873188318878472043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=3873188318878472043' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/3873188318878472043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/3873188318878472043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/04/dias-felizes-so-raros.html' title='Dias felizes são raros.'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-1688898621429464352</id><published>2008-04-08T21:20:00.000-07:00</published><updated>2008-04-19T18:04:37.268-07:00</updated><title type='text'>A vida é imunda</title><content type='html'>--- O relógio marcava três horas de uma tarde de ontem, e a vontade de um café pegou-me desprevenido. Fui à padaria com seis moedas e trouxe um saquinho de pó que de alguma forma pudesse saciar meu desejo. Na volta, ao cruzar com o “cinema” da esquina, aonde as coisas mais estranhas acontecem, vi três vira-latas, e um deles veio até mim afim de faturar alguma comida. Presenciei, também, uma cena digamos que corriqueira e ainda assim desumana.&lt;br /&gt;--- Um menino, de roupas sujas e desbotadas, ocupava uma barraquinha de pipoca, tão mais suja e tão mais desbotada que suas roupas. Era um pobre figurante, em meio a uma infinidade de pés apressados, e por um instante tomou minha atenção. Pensei em trocar a sexta moeda por um saquinho lilás de pipoca. Teria feito se não fosse um homem, um tanto antipático num terno marrom. Entrou na minha frente. Tinha um ar de superioridade e fazia questão de por amostra seu Rolex francês. Ele impôs ordem e pediu pela pipoca, então o pequeno apressou-se e em dois tempos a pipoca estava nas mãos do homem. O senhor fez questão de reclamar do custo e da pouca quantidade, mas entregou os dois reais, e saiu com pressa.&lt;br /&gt;--- Como se já tivesse visto cena parecida, me fiz indiferente, e pedi pela minha pipoca, que demorou um tempo significativamente maior que o do sujeito precedente. Durante a espera, não pude deixar de reparar na placa da barraca, quase toda coberta pela ferrugem. Dizia: “pipoquinha especial e colorida”. Na hora, isso não me levou à reflexão alguma... Exceto pelas "branquinhas" que felizes, eram como padrão oposto, face ao menino de expressão triste.&lt;br /&gt;--- A pipoca enfim ficou pronta, e eu tomava o rumo de casa quando um grito trouxe de volta o terno marrom tingido com labaredas enfurecidas. O homem veio aos berros, com as bochechas vermelhas como as de um tomate e derramou o resto da pipoca e alguns milhos “não estourados” numa poça negra e fedida de esgoto. A lama densa fazia com os milhos flutuarem. O homem alegou que as pipocas estavam frias e exigiu seu dinheiro de volta. O menino em toda sua humildade, disse que a barraca pertencia ao seu chefe e nada podia fazer, uma vez que o chefe controlava a proporção entre o milho gasto e o capital recolhido. Ele também preparara a pipoca, certificando-se que esta estava aquecida. O homem, então, sacou o saquinho lilás amassado e pôs-se a recolher os milhos que nadavam na poça de esgoto, juntou no saquinho os milhos envolvidos no visco e devolveu ao menino. Empurrou-o contra a parede e tornou a exigir o dinheiro. O menino, sem mais o que fazer, pegou os milhos encardidos e devolveu as duas moedas gordas e impregnadas de maldade ao homem. Pude notar um sorriso torto...&lt;br /&gt;--- Meus olhos ameaçavam chover e com o fim do escândalo enfim retornei. O café não tinha mais graça, eu estava agora tomado por uma dolorosa reflexão e um ódio doentio por aquele terno marrom. O dia terminou sem resposta.&lt;br /&gt;--- Hoje, acordei duas horas mais tarde que o normal, fui à cozinha tomar água e voltei para cama com medo do mundo. A imagem do menino não fugia a mente e uma pergunta lançou-se no ar, talvez eterna e matematicamente inexplicável.&lt;br /&gt;O que é o homem? Quem se arrisca, hein?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-1688898621429464352?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/1688898621429464352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=1688898621429464352' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/1688898621429464352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/1688898621429464352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/04/vida-imunda.html' title='A vida é imunda'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-6436238737350082283</id><published>2008-03-29T16:51:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T08:28:48.240-07:00</updated><title type='text'>Luana</title><content type='html'>--- Quando a prontidão da noite reluz, a lua tem seu típico complexo narcisista de calar qualquer dor. Como fez às mãos de Ludwig, meu amigo.&lt;br /&gt;--- Ora! - que a lua fosse obra de arte viva, não é de se duvidar, mas tenho minha teoria a respeito da prata que incide a dama gorducha. Obra de Michelangelo, que faz renascer o brilho toda noite lá no céu... Bem, admito que seja contraditória a tonelada de tinta gasta, mas de notória importância! Imagine-se sem a lua, sem o brilho que ilumina o inconveniente “apagão”. A lua é o olho da vida, que inibe a cegueira hipócrita, que nos faz ver a noite com coragem, e que acende a esperança do sol matinal.&lt;br /&gt;--- Eu amo a noite, sempre amei. Amo sua surdez, amo a pigmentação estrelar que concede o medo. Amo o medo. È bom sentir medo de escuro, viver como os morcegos de mentes calculistas, que aguardam a presa em seu leito.&lt;br /&gt;--- Amo o jogo, e as &lt;em&gt;luzes da cidade&lt;/em&gt;. A flor exalando a fragrância pela varanda, o vento que solta a sua voz: obras únicas. É por si só, mero conúbio entre vida e morte. Onde a sessão é fundamental, e a terapia faz milagres. A plenitude pertence a quem beber de sua graça.&lt;br /&gt;--- E por fim, ela morre como ilusão, ao passo que o sol mostra-se, e impõem tamanha opressão sobre seus frágeis braços corrompidos da mentira e da maldade diurna. Um adeus longo e demorado como do homem que vai à guerra, e o lenço úmido dança ao vento. Ela vai e não volta. O quão esquivo foram os momentos a luz da madrugada, onde as gotas tilintavam no pau-a-pique.&lt;br /&gt;--- Meu amor já não é mais meu, é do mundo. Que ela seja livre e aventure-se às mil galáxias, e assim ela nos foge a mente, e deixa a saudade castigando o pedaço restante do coração. A prece faz jus à melancolia, e o bordado negro que a pouco se estendia no céu, vai-se junto à lua para bem longe, aonde o tempo e o espaço são pagãos da verdade.&lt;br /&gt;--- Lua, Luana, como queira, amei-te desde o sempre, e ao túmulo levo sua memória. Num clarão ofuscante a vida lhe foi tomada, e o ciclo da lagarta foi bruscamente interrompido quando a morte a desejou. O espírito foi mais forte, tomou-a de meus braços e nada pude fazer para evitar. Desculpe. Num mundo onde o fim é iminente a vida não tem vez.&lt;br /&gt;--- Recolho as tralhas. Bom dia, boa tarde e boa noite. A borboleta não é, nunca foi, e nunca vai ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-6436238737350082283?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/6436238737350082283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=6436238737350082283' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/6436238737350082283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/6436238737350082283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/03/luana.html' title='Luana'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-1712072628670128769</id><published>2008-03-26T17:07:00.000-07:00</published><updated>2008-03-29T12:49:25.443-07:00</updated><title type='text'>Planos para uma vida de cadáver</title><content type='html'>Mãe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, um finado.&lt;br /&gt;Peço-lhe um vidro de colônia e dois charutos, afinal, quem há de querer um bendito corpo que cheira horrores? Tenho meu orgulho, ora, e os charutos são indispensáveis, gosto de sentir a fumaça.&lt;br /&gt;Estou morto a dois dias, que mais parecem trezentos, e aqui no céu, estamos em pleno verão, mas não sei o porquê dele, uma vez, que nós mortos, não somos capazes de sentir calor, maravilha, não acha?&lt;br /&gt;Recebi sua carta, não precisa se preocupar, estou me alimentando absurdamente bem, uma dieta a base de tomate, nunca vi um lugar onde o tomate é tão abundante! Têm tomate de todo jeito, tomate-roxo, tomate-peludo, tomate-frito e o melhor deles, o tomate-pro-adstringente. Bem, deixando os tomates de lado, que fim levou a cobra que me engoliu? Uma espécie rara! Haha, sou mesmo um cara de sorte. Pobre ofídio, alimentou-se de minhas vísceras banhadas a muito óleo de batata frita, ouvi dizer que conseguiram remover minha cabeça do corpo da cobra, que irônico, eu que sempre fui o “cabeça” da família.&lt;br /&gt;Mãe, para chegar até aqui, agente tem que passar por uma espécie de balança, algo como uma bússola, que nos mostra que caminho trilhar: céu ou inferno. Quase fui parar no andar de baixo, acho que aquelas vezes em que eu passei pimenta na sua escova de dente influenciaram muito nisso, mas por sorte, num movimento rápido pulei para a barca do céu, uma gentezinha arrogante, melhor não me misturar.&lt;br /&gt;Aqui é por demais monótono, agente fica o dia inteiro ouvindo palestras e aprendendo como se tornar anjos, um completo tédio!&lt;br /&gt;No mais, está tudo na mais perfeita harmonia. Espero ansioso pela sua morte, não agüento de saudades!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mande-me algumas fotos.&lt;br /&gt;Ah, mais uma coisa, estão dizendo que o médium está em greve, então seria conveniente achar outro modo de nos falarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentativas inúteis de beijos,&lt;br /&gt;Do seu querido defuntinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-1712072628670128769?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/1712072628670128769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=1712072628670128769' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/1712072628670128769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/1712072628670128769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/03/planos-para-uma-vida-de-cadver_27.html' title='Planos para uma vida de cadáver'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-5889228231034699648</id><published>2008-03-09T14:23:00.000-07:00</published><updated>2008-03-20T08:14:27.733-07:00</updated><title type='text'>Homo matadores</title><content type='html'>Estou aqui,&lt;br /&gt;venha, chegue mais&lt;br /&gt;não temas toda vida,&lt;br /&gt;a noite vem e vai, nada mais&lt;br /&gt;Escondeu-se, Inocência&lt;br /&gt;deixe-me conhece-la&lt;br /&gt;nasci sem vil prazer&lt;br /&gt;de nos braços,&lt;br /&gt;batiza-la.&lt;br /&gt;Unte as mãos com meu sangue&lt;br /&gt;derrama o resto sobre a tulipa&lt;br /&gt;oh! que flor formosa&lt;br /&gt;por vezes tão cheirosa!&lt;br /&gt;Como cravos de defunto,&lt;br /&gt;toma-me de seu hostil assunto.&lt;br /&gt;Encharca os campos da Inglaterra&lt;br /&gt;Conceda-me a benção duma terra,&lt;br /&gt;p'ra usar até cansar,&lt;br /&gt;de tal modo a inutilizar&lt;br /&gt;matá-las-ei a meu modo&lt;br /&gt;um punhal banhado a mel&lt;br /&gt;atravessa a espessa camada nua&lt;br /&gt;tanto desgosto,&lt;br /&gt;via de mão única à Lua,&lt;br /&gt;Jorrando as lágrimas do céu,&lt;br /&gt;do sábio, e do cão, e do homem.&lt;br /&gt;Entre as rochas, faz-me lodo,&lt;br /&gt;entre o lado caio em roça,&lt;br /&gt;na terra de papai,&lt;br /&gt;onde há mil vontades,&lt;br /&gt;nada mais.&lt;br /&gt;Com um tiro,&lt;br /&gt;sou curto e breve&lt;br /&gt;pelas faces corriqueiras,&lt;br /&gt;digo só,&lt;br /&gt;e o tudo,&lt;br /&gt;vai ao nada&lt;br /&gt;e o tudo,&lt;br /&gt;vira pó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-5889228231034699648?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/5889228231034699648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=5889228231034699648' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/5889228231034699648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/5889228231034699648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/03/homo-matadores_13.html' title='Homo matadores'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8049858444007488643.post-6240682095455795537</id><published>2008-02-27T09:19:00.000-08:00</published><updated>2008-02-29T13:41:38.127-08:00</updated><title type='text'>A (des)ilusão do café</title><content type='html'>&lt;em&gt;A vida de tempos em tempos é renovada, nem sempre significativamente, e algumas vezes é um tanto quanto peculiar. Compreenda-a, ou melhor tente fazê-la, verás que não é a mais simples , tão pouco a mais segura das opções. Espero ajudá-lo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma xícara florida. Tanto bom humor contrastava com a cor de bronze do café surrado pelo tempo. Marrom quase morto. O gosto, não nego, era amargo, mas me fez bem, levou-me para ver a vida passar. Não passava, coisa complexa demais. Simplesmente, não passava.&lt;br /&gt;O tic-tac adentrou meus ouvidos, queria evitar, mas foi mais forte. Olhei. Cinco e meia ( que horário fatídico , pensei). Jornais tão secos, encharcados de números, novela de rádio. Nossa ! Como estava quente, o calor embassava as vidraças. Um grito, o último de que me recordo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dóris, venha ver. Está morto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era verdade, não &lt;em&gt;podia&lt;/em&gt; ser. Estava morto. O gentil peixinho dourado Manuel agora dormia. Para sempre.&lt;br /&gt;Dóris desabou, como os prédios que um dia tocaram o céu. A coisinha mais amada, o que , de fato, a compreendia, sua única razão de pertencer àquela dimensão. Prefiriu ir para uma melhor, nada se igualava áquela dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embalou-se, arriscou um bocejo, cambaleou e dormiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dóris despertou numa terra, das mais bizarras, onde a brisa amansava o azul e os raios de sol fundiam-se com seus cachos cor de ouro.Ah, como era bom ouvir o vento batendo nas folhas, as lebres contentes com a vida, a água, tão clara quão inocente. A infelicidade adormeceu, ao passo que as aves sucumbiram. Das mais diversas: azuis, rosadas, amarelinhas e &lt;em&gt;as de mentira.&lt;/em&gt; Era uma orquestra perfeita e simplória.&lt;br /&gt;Dóris flutuava em seu mundo interior, seu "eu" mais profundo, a única parte em que se pode realmente confiar, ou pelo menos se podia. A gente nunca sabe quando a vida vem e nos dá um belo dum pontapé. Dóris sabia. Tudo que é muito doce acaba amargando, sua pequena experiência de vida deixou isso bem claro assim que ela abriu a boca e proferiu alguma coisa como "Lindo!"&lt;br /&gt;O céu rugiu, e escureceu junto com o sorriso de Dóris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ousaste trazer até nosso mundo sinal tão semelhante aos homens ? A vida não te faz bem , megulhe outra vez na depressão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou numa língua desconhecida, não por Dóris.&lt;br /&gt;Tudo caiu em si. A dor, a impotência, o tédio demasiado, tudo isso retornava de contramão. Sentia pancadas no rosto, não físicas , vão além do que se pode provar . Era o ódio.&lt;br /&gt;Olhou em volta,percebeu que estava de novo na velha casa de campo de seus avós, tão monótona.&lt;br /&gt;De súbito lembrou-se do café, ah ! O café, aquele que salva a gente nas piores horas.&lt;br /&gt;Mas a essa hora ele já se esgotara.&lt;br /&gt;Só lhe restavam aqueles biscoitinhos e uma amarga colher de nostalgia.&lt;br /&gt;A vida nem sempre é cheia dela mesma, é por vezes tão vaga quanto a mais indolente das questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavado a lágrimas, assim encerro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8049858444007488643-6240682095455795537?l=francofiddgins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://francofiddgins.blogspot.com/feeds/6240682095455795537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8049858444007488643&amp;postID=6240682095455795537' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/6240682095455795537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8049858444007488643/posts/default/6240682095455795537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://francofiddgins.blogspot.com/2008/02/desiluso-do-caf.html' title='A (des)ilusão do café'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17199630731726880415</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='http://3.bp.blogspot.com/_PLs2IExRukE/TFJKDtqoMMI/AAAAAAAAAJM/52Kkv2qbd18/S220/tet+mato+kbe%C3%A7a.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
